Marli Olmos, no Valor, explica que a Ford não desistiu do
Brasil agora, mas há pelo menos cinco anos, quando pôs fim aos programas de
investimentos. A fábrica de motores em Taubaté, por exemplo, “perdeu
o sentido à medida que não se desenvolviam novos modelos de carros”. “Os dirigentes da Ford foram os que mais fizeram lobby”,
pela medida, de olho na planta de Camaçari (BA), que passou a concentrar a
atividade industrial do grupo. “Mas os incentivos não foram suficientes
para segurar a empresa”.
Em 2019, o fechamento da fábrica em São Bernardo do Campo,
onde eram produzidos caminhões e carros, acentuou a dinâmica de saída.
E, em dezembro passado, veio a pá de cal quando Lyle
Watters, presidente da Ford na América do Sul, anunciou ao presidente argentino,
Alberto Fernández, um novo programa de investimentos de US$ 580 milhões
para desenvolver a próxima geração da Ranger.
“Ao anunciar um plano de investimentos para o país vizinho e
nada para o Brasil, o executivo irlandês deixou claro que o Brasil já não fazia
parte da estratégia industrial da companhia.”
Olmos lembra que, numa entrevista naquele dia, “Watters
queixou-se da desvalorização do real e do peso argentino, que levavam a uma
‘situação sem precedentes’, agravada pela pandemia”.
“Naquele dia, ele deixou, ainda, claro que a partir de
então, a estratégia da companhia seria voltada à preservação da saúde
financeira. A Argentina tem uma peculiaridade em relação ao Brasil. Sua
economia é altamente dolarizada. Para a indústria, isso facilita o repasse dos
custos com desvalorização cambial.”
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